The Jordans: do Tatuapé para o mundo 0 1322

Conjunto, que completa 50 anos com a Bossa Nova, nasceu no Tatuapé

Carregar o título de ser um dos maiores grupos de rock instrumental do início da década de 1960 já seria suficiente para mostrar a importância desse conjunto no cenário musical brasileiro. Mas, além disso, foram responsáveis pelas inovações no estilo de tocar que influenciou os músicos da época com o uso de instrumentos pouco convencionais no pop-rock instrumental, como vibrafone, bandolim e três guitarras elétricas. São também reconhecidos como nossos representantes legítimos do melhor que a Surf Music já produziu no mundo. Enfim, é merecida a homenagem a essa banda que completa bodas de ouro, no mesmo ano em que outro estilo inovador completa também 50 anos, a Bossa Nova.

O conjunto começou a se formar em 1956, na Mooca, com Aladdin (guitarra solo), Sinval (guitarra base), Tony (contrabaixo), Foguinho (bateria) e Irupê (saxofone e trompete). A origem do nome vem do grupo vocal The Jordanaires, que participava das gravações de Elvis Presley. Mas era no Tatuapé que costumavam se reunir, no ano de 1958, com o nome de Three Plays (Aladdin, Sival e Tiguêis), para tocarem em clubes do bairro e programas de rádio da época em que começou a estourar o fenômeno do rock´n roll em terras tupiniquins. Outros músicos vieram a se juntar ao grupo de então, como Mingo, que morava atrás da Biblioteca do Tatuapé (a Cassiano Ricardo), e Manito, que se exibia em shows das lojas Sangia, no mesmo Tatuapé, em cima de caminhões palco. Manito, para quem não sabe, veio a integrar mais tarde o staff dos Incríveis como saxofonista, e Mingo também, com guitarra e voz.

Foi por meio de Celly e Tony Campello que os The Jordans apareceram na televisão pela primeira vez em 1958, no programa da TV Record Crush Hi Fi, no antigo endereço da Rua da Consolação. Lá, tiveram a oportunidade de tocar ao lado de outras figuras importantes dos anos 60, como George Freedman, Antônio Cláudio e Jester Tigers, The Rebels, entre tantos outros. Depois disso gravaram diversos discos, como Suspense (1962), Surfin with The Jordans (1963) e Os Alucinantes (1964).

Foi por meio de Celly e Tony Campello que os The Jordans apareceram na televisão pela primeira vez

A convite de outro grande músico brasileiro, Carlos Gonzaga, o ídolo número 1 do rock balada brasileiro, os Jordans passaram a participar de seus shows por todo o Brasil, até conhecerem o radialista Antônio Aguillar, que estreava um programa na antiga Rádio Nacional na Rua das Palmeiras, chamado Ritmos da Juventude, e que foi um estouro na época e acabou sendo inspiração para outro programa que dispensa comentários, o Programa Jovem Guarda, palco de celebridades do iê-iê-iê, e que teve os Jordans como integrantes do elenco fixo.   

O grupo foi indicado a entrar no Guiness Book, como o conjunto de rock mais antigo do Brasil e que continua com integrantes originais.

Entre seus sucessos, destacam-se Blue Star, Noites de Moscou e Tema de Lara. Já Riders In The Sky e Shane, recomendáveis para os amantes dos filmes de cowboy, são ritmos que trazem à tona o sabor da pura infância, quando os meninos ainda sonhavam em ser como seus heróis: fortes, bravos, destemidos.

A banda cinqüentenária se mantém na ativa até hoje, com diversas apresentações em São Paulo. A formação atual é a original com Aladdin, Sinval, Tony e Foguinho (este em algumas apresentações), com acréscimo de Maurício nos teclados, e Marcão na bateria. Sem exagero algum, vale a pena conferir de perto o som dos Jordans, com destaque para Aladdin, com certeza um dos maiores guitarristas do Brasil.

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