Reciclagem: Pet consciente 0 508

Apenas metade das garrafas PET produzidas no Brasil são recicladas. Movimento ambientalista PET Consciente quer mais

Dentre todas as formas de lixo que são despejadas diariamente na natureza, as garrafas PET (sigla para Politereftalato de Etila), utilizadas principalmente pela indústria de refrigerantes, são uma das que mais preocupam ambientalistas em todo o mundo. Diferentemente das latinhas de alumínio, que são praticamente todas recicladas, apenas 53% das garrafas plásticas no Brasil voltam a ser aproveitas. Ou seja, das 430 mil toneladas produzidas anualmente no país, 227 mil são descartadas no meio ambiente.

“Os números são alarmantes, ainda mais se levarmos em consideração o fato de que o plástico pode levar mais de 100 anos para se decompor”, observa o biólogo e empresário Marcelo Novaes. Proprietário de um buffet, ele mesmo não se conforma com a quantidade de garrafas PET que é obrigado a desperdiçar diariamente. “Utilizamos o máximo de garrafas retornáveis, mas é impossível atender toda a demanda sem recorrer às descartáveis. A indústria não nos oferece alternativas”, reclama o biólogo.

Determinado a contribuir com a diminuição do problema, Novaes organizou o 1º Fórum de Discussão Sobre o Impacto do PET no Meio Ambiente, realizado em 2007 na cidade de São Paulo, com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos ao meio ambiente causados por embalagens do tipo.

Na ocasião, os presentes assinaram um documento de intenções, que foi entregue às autoridades federais, a fim de que tomem providências para que as empresas assumam os custos da poluição que geram. Para Novaes, que responde pelo Movimento PET Consciente, apesar de haver reciclagem, ainda há uma grande quantidade que é jogada diretamente no meio ambiente. “É preciso que as autoridades governamentais incentivem o reaproveitamento, pois os fabricantes preferem o material virgem ao reciclado, por este ainda ser mais caro. Além disso, sempre que puder, o consumidor deve optar pelas embalagens retornáveis”, orienta

COLETA INSUFICIENTE

Já para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Alfredo Sette, a estrutura de reciclagem brasileira é capaz de processar um volume 30% superior ao atual, mas esbarra na falta de matéria-prima. “Ainda faltam políticas públicas consistentes que promovam a coleta seletiva do lixo nas cidades. Muitos municípios brasileiros não contam com nenhum tipo de coleta e pouquíssimos possuem um sistema. A indústria está pronta para absorver eventuais aumentos superiores aos que foram verificados até o momento. Ao contrário do que pode parecer, existe falta de PET para ser reciclado no mercado”, argumenta Setter.

Dados fornecidos pela Abipet dão conta de que o PET reciclado é utilizado principalmente pela indústria têxtil, que utiliza o material para a fabricação de fios e fibras de poliéster. Com a matéria-prima resultante da reciclagem de duas garrafas de dois litros, por exemplo, é possível fazer uma camiseta. Mas o produto também é utilizado na fabricação de outros materiais, tais como cordas, vassouras, tubos e até novas embalagens, entre vários outros.

O presidente da associação também considera uma boa notícia o fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ter liberado o uso da resina PET reciclada para a fabricação de embalagens de bebidas e alimentos. “Com essa resolução, a demanda pelos reciclados deverá aumentar. Mas a população precisa ser informada sobre a destinação adequada do material e, principalmente, a infra-estrutura de coleta seletiva precisa ser ampliada e adaptada a esta nova realidade”, diz Setter, acrescentando que será fundamental a fiscalização das novas embalagens, para que o produto tenha credibilidade sob o ponto de vista sanitário.

ETAPAS DA RECICLAGEM

Existem três formas de se reciclar as garrafas. Uma delas, a química, separa os componentes do PET, fornecendo matéria-prima para solventes, resinas e outros produtos. A outra, energética, aproveita o calor gerado pela queima do produto na geração de energia elétrica, que alimenta caldeiras e fornos industriais. No entanto, no Brasil, a maioria dos PET são reciclados pelo processo mecânico.

Na primeira fase desse processo, as embalagens recolhidas são separadas por cor, para facilitar sua aplicação no mercado, e depois prensadas para viabilizar o seu transporte. Em seguida, as garrafas são moídas, resultando em flocos, material que já tem valor comercial. Com o granulado em mãos, as empresas transformadoras fabricam diversos, produtos, inclusive novas embalagens PET.

COMO SURGIU O PET

De acordo com a Abipet, a primeira amostra desse material foi desenvolvida pelos ingleses Whinfield e Dickson, na década de 40. Já as pesquisas que levaram à produção em larga escala do poliéster começaram somente após a Segunda Guerra Mundial, nos anos 50, em laboratórios americanos e europeus. Na época, o material era utilizado somente na indústria de tecidos. Apenas em 1962, foi criado o primeiro poliéster pneumático, que mais tarde, na década de 70, começou a ser utilizado pela indústria de embalagens.

O PET foi introduzido na indústria brasileira em 1988 e, como no resto do mundo, foi aplicado primeiramente na indústria têxtil. Só a partir de 1993, passou a ter forte expressão no mercado de embalagens, principalmente, de refrigerantes.

PET NA NET

A internet está repleta de sites sobre o PET e sua reciclagem. Para mais informações, visite www.petconsciente.com.br e  www.abipet.com.br.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

As + Acessadas