Voz de outro 0 858

Talento desde os 11 anos de idade, a dubladora Gilmara Sanches dá vida à versão brasileira de grandes produções infantis

Muito mais que a substituição da voz original de produções audiovisuais pela interpretação de um dublador, a dublagem é uma mistura de arte e técnica. Despertando a curiosidade de milhares de espectadores, é um trabalho muito interessante e importante, pois pode aperfeiçoar ou danificar uma filmagem que tenha demorado mais de um ano para ser feita.

Com mais de 40 anos de carreira, a dubladora Gilmara Sanches é a responsável pela dublagem de grandes produções infantis, como Pokemon, Sakura Wars e Barney. E, desde dezembro do ano passado, esse trabalho passou a ser feito no Tatuapé, nos mais novos estúdios da Centauro.

Aos 11 anos, Gilmara ingressou no mundo artístico atuando em peças de teatro e novelas da Rede Record e da extinta TV Tupi. “A experiência como atriz foi essencial para o meu trabalho hoje como dubladora”, declara Gilmara, que chega a trabalhar 14 horas diárias. “Quando eu comecei a dublar, eram cinco pessoas em um só microfone. Se errava tínhamos que começar tudo de novo. Hoje a dublagem é feita individualmente”, explica a dubladora. E acrescenta: “Primeiramente assisto ao filme em casa, para sentir as vozes originais que mais se assemelham com as dos meus profissionais. Nos desenhos, é mais fácil realizar a dublagem, pois as vozes são caricatas, sendo possível até colocar um tom diferente, mais próximo da fisionomia do personagem”.

Um longa leva cerca de dois a três dias para ser dublado. “É como se fizéssemos uma novela por dia, lida e interpretada, que é mais difícil, pois temos que transmitir por meio da voz o sentimento que o ator está demonstrando na encenação.

Procuramos nos aproximar cada vez mais da fórmula original”, afirma a diretora.

Dublagem brasileira

Experiente no ramo, a dubladora afirma certa indignação com a banalização de seu trabalho no país. “Sem uma boa preparação de ator é impossível ser um dublador, pois não basta aprender a sincronizar o tempo da fala, precisa saber interpretar e muito bem. Estamos passando por um problema gravíssimo, pois estúdios ‘picaretas’ colocam alunos sem experiência para dublar grandes filmes. Isso tem danificado a imagem do nosso trabalho”, relata ela.

No entanto, Gilmara afirma que, apesar desse fator, a dublagem brasileira pode ser considerada a melhor e mais bem elaborada do mundo.

Como dica, a diretora alerta: “se os telespectadores notarem algum deslize na dublagem, eles devem ligar para a emissora e reclamar”.

Estúdio Centauro
Praça Santa Terezinha, 39, Tatuapé, tel.: 2227-2527 www.centauro.com

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